HISTÓRIA DE CANARANA


Canarana surgiu em função dos problemas fundiários do sul do pais. Em 1970 viviam em Tenente Portela 4.077 famílias de agricultores em uma área de apenas 34.000 hectares. Mais da metade dessas famílias não tinham terra suficiente para viver e criar seus filhos. Cada ano se formavam cerca de 450 novas famílias. Muitas acabavam indo para as favelas das cidades da região.
O trabalho que deu origem ao projeto Canarana iniciou com a criação da Rádio Municipal de Tenente Portela, inaugurada no dia 11 de outubro de 1970. Além do trabalho da equipe da emissora, liderada pelo então Pastor Norberto Schwantes, foram feitas reuniões onde o problema de falta de terra era diretamente debatido com os agricultores, por que falar abertamente sobre problemas fundiários era visto como subversão, pois na época estava vigente o regime militar em nosso país.
Segundo Norberto Schwantes, a meta inicial era viabilizar uma lavoura com maior produtividade, à exemplo da agricultura centro-européia, mas logo foi constatado que esse projeto era insuficiente. O agrônomo Orlando Roewer apresentou uma idéia que já era tradicional, a emigração para outros lugares do país.
Três membros da Rádio Municipal foram ver o Mato Grosso e voltaram entusiasmados. Descobriram um imenso vazio demográfico com muita terra boa e barata. Para os agricultores dispostos a emigrar a equipe sugeriu a criação de uma cooperativa e para os que queriam ficar um programa de remembramento minifundiário.
A Coopercol, Cooperativa de Colonização 31 de Março Ltda, teve sua assembléia de criação no dia 31 de março de 1971. Ela entrou para a história como a primeira cooperativa colonizadora do país.
O sonho dos agricultores era ir para Dourados, Mato Grosso do Sul, mas lá as terras já estavam inflacionadas. A diretoria da cooperativa, em 15 de fevereiro de 1972, viajou  para o Mato Grosso a fim de ver as terras no então Município de Barra do Garças. Na altura da localidade conhecida como Váo, o ônibus atolou e muitos queriam voltar atrás. Os persistentes levaram a viagem até o fim, mas ao voltarem para Tenente Portela  o agrônomo alemão Diter Fomford pintou um quadro muito negativo das terras do Mato Grosso causando uma debandada: dos 400 sócios iniciais restaram apenas 36.
A esse grupo juntaram-se mais 44 totalizando 80 famílias. Foi então que a Coopercol adquiriu uma área de 39.981 hectares, que era da viúva Fontoura, proprietária do Laboratório fabricante do Biotônico Fontoura.
No dia 14 de julho de 1972 começaram chegar  na região as primeiras das 80 famílias de pioneiros  dando início ao Projeto Canarana I. As primeiras duas famílias foram trazidas por Luiz Cancian e foram as de Siegfried Bruno Geib e Ervino Teixeira Berft. Inicialmente se alojaram num acampamento conhecido como “Vila Sucuri”. Cada pioneiro recebeu um lote de 480 hectares, ficando uma parte como área de reserva e instalações urbanas. Antes do surgimento da cidade foram criadas três agrovilas, cada uma numa distância de seis quilômetros do perímetro urbano.
O nome “Canarana” foi escolhido a partir de uma pesquisa feita pelo Agrônomo Orlando Roewer. Entre as espécies de fauna e flora existentes na região, chamou a atenção o nome de um capim chamado de canarana. Norberto Schwantes e seus companheiros de  trabalho optaram por esse nome por ser bonito e por ser semelhante a Canaã, a terra prometida aos hebreus cuja história lemos no Antigo Testamento da Bíblia. 
Depois do projeto Canarana I, uma série de outros projetos de colonização foram sendo implantados, dando origem ao atual município de Canarana: Projeto Canarana II, Canarana III,  Projeto Garapu I, Garapu II,  Garapu III, Projeto Serra Dourada, Projeto Tanguro I, Tanguro II e Projeto Kuluene. Se somaram aos projetos diversas fazendas que já tinham sido adquiridas por particulares.                
Além da Coopercol-Cooperativa de Colonização 31 de Março Ltda, foi criada a Coopercana-Cooperativa Agropecuária Mista Canarana Ltda, em 05 de julho de 1975, que durante 18 anos atuou na região dando suporte a produção, assistência técnica, comercialização e melhorias na infra-estrutura.
No início as famílias viveram uma experiência de lavouras comunitárias e de uso comunitário das máquinas agrícolas. Com a vinda do financiamento do Banco do Brasil, cada família passou a ter a sua própria plantação.
O povoado de Canarana, que desde o início se firmou como núcleo central dos projetos de colonização foi inaugurado em 1º de maio de 1975.
Canarana tornou-se distrito de Barra do Garças pela Lei Estadual 3.762 de 29 de junho de 1976 abrangendo as áreas dos atuais municípios de Água Boa, Ribeirão Cascalheira e Querência. O Sr. Marino Schaeffer foi o primeiro sub-prefeito nomeado pelo então Prefeito Wilmar Peres de Farias.
 Em 30 de dezembro de l978 foi constituída a Comissão Pró-Emancipação tendo como membros: Luiz Cancian, Elói Ernesto Rabuske, Luiz Palma, Guido Afonso Rauber, Mário Mazureck e Nilvo Vicente Colling, de saudosa memória.
                O plebiscito foi realizado dia 11 de novembro de 1979 e Canarana tornou-se município através da Lei nº 4.165, de 26 de dezembro de 1979. O projeto foi de autoria do deputado Ricardo Corrêa e sancionado pelo Governador Frederico Campos. A instalação do município ocorreu em 15 de fevereiro de 1981 com a nomeação do Sr. Luiz Cancian como primeiro dirigente municipal.
O primeiro prefeito eleito foi o Sr. Francisco de Assis dos Santos e seu vice foi Eugênio Juventino Tonial.  Seu mandato teve início em 01 de fevereiro de 1983 e término em 01 de janeiro de 1989. A 1ª Legislatura teve como vereadores: Avelino Simioni, Asildo Ari Weirich, Assis Simon, Jairo Groff, Antônio Bonfim dos Santos, Jandir Pezzini, José Carlos de Souza, Antônio Valadares, Carlos Mazureck e Bertholdo Grubert.
                O segundo prefeito eleito do Município de Canarana foi o Sr. Darci Jesus Romio com o Vice Guido Afonso Rauber. Seu mandato  foi de 01 de janeiro de 1989 a 01 de janeiro de 1993. A 2ª legislatura teve como vereadores: Naudi Rohr, Madelaine Terezinha Stragliotto, Elídio Corbari, Daniel Saggin, Raimundo Ribeiro da Silva,  Saul Girelli, Juraci Ponsi Fabrício, Ivo Dalpizzol, Antônio Giacomini e Arnildo Franz.
                O Sr. Luiz Cancian foi o terceiro prefeito eleito com mandato de 1993 a 1997, tendo como vice Walter Lopes Faria.  Neste quadriênio a câmara de vereadores foi assim constituída:  Madelaine Terezinha Stragliotto, Elias Oliveira dos Anjos, Laurindo Schwartz, Gilmar Antônio Kerber, Colmar da Costa e Silva, Odila Bandeira, Raimundo Ribeiro da Silva, Juracy Ponsi Fabrício e Ivani Terezinha de Castro.
                O 4º prefeito eleito foi o Sr. Darci Jesus Romio tendo como vice Evaldo Osvaldo Diehl.  Seu mandato foi de 1997 a 2000. A câmara  na 4ª Legislatura foi assim constituída: Joá Jose Porto dos Santos, Solange Colossi, Sadi Antônio Turra, Madelaine Terezinha Stragliotto, Elias Oliveira dos Anjos, Raimundo Ribeiro da Silva, Manoel José Alves, José Roberto Siqueira Trovo, Elói Hetzel e Gilmar Antonio Fiorentin.
                O Sr. Evaldo Osvaldo Diehl foi o 5º prefeito eleito de Canarana e seu mandato foi de 01 de janeiro 2001 a 01 de janeiro de 2005. O vice-prefeito foi Sadi Antônio Turra.  A Câmara Municipal de Vereadores ficou assim constituída: Ênio Heinche Hass, Renilton Gomes de Souza, Ismar Grubet, Mauro de Souza Vieira, Joá José Porto dos Santos, Mauro Luiz Mrojinski, Carlito Barbosa Silva,  Traudi Dalice Becker, Solange Colossi e  Beatriz Irber.
                O sexto prefeito eleito de Canarana é Walter Lopes Faria e sua vice é Marilei Bier. Seu mandado vai de 1º de janeiro de 2005 a  1º de janeiro de 2008. A Câmara Municipal conta com os vereadores: Joá José Porto dos Santos, Orlando Francisco Dourado, Márcia Graziela Luft, Pedro Lauri Kuhn, Manoel Jesus de Freitas, Mauro de Souza Vieira, Renilton Gomes de Souza, Paulo José Gonçalves e Ênio Henche Haas.
            O setimo prefeito eleito de Canarana é Walter Lopes Faria e sua vice é Marilei Bier. Seu mandado vai de 1º de janeiro de 2009 a  1º de janeiro de 2012. A Câmara Municipal conta com os vereadores: Joá José Porto dos Santos, Orlando Francisco Dourado, Mauro de Souza Vieira, Paulo José Gonçalves, Airton Braz da Rosa, Gema Favreto Colling, Madelaine Stragliotto, Francisco Cavalcanti e Ênio Henche Haas.
O Município de Canarana conta com uma área de 10.870 Km² e sua população estimada em 19.000 habitantes.
                Sua economia se destaca como maior produtor de grãos do Vale do Araguaia, sendo a soja a principal cultura. O rebanho de gado conta com cerca de 450.000 cabeças numa área de 600.000 hectares de pastagens.
                Canarana apresenta um grande potencial turístico com suas pousadas situadas às margens dos rios Sete de Setembro e Culuene. Os monumentos do Avião e da Cuia são os pontos mais visitados em seu perímetro urbano.
                Na área da Educação Canarana conta com duas escolas estaduais, duas particulares e 20 escolas municipais. O número de alunos é superior a sete mil.
                Canarana se destaca como Pólo Regional de Educação no Ensino Superior mantendo cursos da UNOPAR e UNIC e conta com um Centro Universitário.  
Na área de serviços públicos Canarana conta com diversos órgãos de abrangência regional. A construção do Fórum inaugurado no dia 14 de julho de 1990 e a instalação da Comarca foi uma das conquistas mais comemoradas pela comunidade.
Na Saúde Canarana conta com dois hospitais particulares, uma Policlínica Municipal e sete Postos de Saúde nos bairros e interior. O atendimento por parte do Município é totalmente gratuito, inclusive com exames de laboratório e atendimento odontológico.